Guerra, genocídio, Irã, futuro dos EUA, Copa, ataque terrorista?
Guerra, genocídio, Irã, futuro dos EUA, Copa, ataque terrorista?
Nesse exato momento o cessar-fogo entre EUA e Irã, que deveria durar duas semanas, foi extinguido em poucas horas. O motivo foram ataques em larga escala contra civis no Líbano, especialmente em Beirute.
- Eu gosto de examinar o ponto de vista dos maiores apoiadores de israel no mundo inteiro, que são cristãos sionistas, especialmente protestantes. O Líbano é um país que desde sua libertação só tem presidentes cristãos (existe uma regra no Líbano que é: presidente é cristão, primeiro ministro é sunita, e o presidente do parlamento é xiita). Além disso, o Líbano tem, junto da Palestina, provavelmente os cristãos mais antigos do mundo, que seguiram Jesus 2000 anos atrás.
Genocídio
O cessar fogo foi rompido para israel matar civis, e o objetivo é claramente esse. Qualquer pessoa racional com acesso a informação consegue ver que o que acontece em Gaza é um genocídio, mas ninguém faz absolutamente nada. É claro, isso se deve ao sistema implementado pós segunda guerra onde apenas os 5 países do conselho de segurança da ONU votam no que de fato importa, cada um com poder de veto, e os EUA têm, vez após outra, vetado cada proposta de resolução do "conflito".
Caso ainda exista algum abençoado que acha que não existe um conjunto de políticas projetadas para levar à morte e destruição dos palestinos, vou colocar algumas das MILHARES de provas. Não vou fornecer todos os links, mas tudo que falo aqui é bem documentado.
- Militares israelenses estupraram um prisioneiro palestino na frente de câmeras. Enfiam objetos no ânus dele levanto ao rompimento do reto. Pulmão perfurado, costelas quebradas etc. A então advogada geral do exército compartilha o vídeo que prova o que aconteceu. Ela é presa. O novo advogado (general também, como ela) larga as acusações. Netanyahu parabeniza o novo ministro, diz que era uma difamação, e diz que israel tem que perseguir seus inimigos, e não seus heróis. Tudo muito bem documentado: Estupro de palestinos ou seja: se for palestino, pode estuprar.
- 77% do parlamento israelense aprovou uma lei que expande a pena de morte APENAS para palestinos, num prazo de 90 dias para "crimes relacionados a terrorismo". Quem é terrorista? Quem determina quem é terrorista? Fica bem óbvio que essa medida é pra acelerar e aumentar o assassinato de palestinos, e "resolver" o problema das prisões lotadas de palestinos (crianças inclusive, como MUITO bem documentado pelas Human Rights Watch, anistia international, unicef...)
- As pessoas mais importantes e influentes do governo israelense há décadas falam sobre a retirada dos palestinos (que na carta da Convenção para Prevenção do Genocídio é uma forma de genocídio), mas vamos focar nos mais recentes:
Itamar Ben Gvir (ministro da segurança nacional) : "A única coisa que tem que entrar em Gaza são as centenas de toneladas de explosivos da força aérea, nem uma grama de ajuda humanitária".
Daniel Harari (porta voz das forças de defesa) : "Estamos jogando centenas de toneladas de bombas em Gaza, o foco é em destruição, não precisão"
Amichai Eliyahu (ministro da herança ou legado) : "Temos que achar maneiras para lidar com os "gazeanos" (nem palestinos ele tem coragem de falar) que são mais dolorosas que a morte"
Isso sem falar no uso de fósforo branco no Líbano (arma considerada crime de guerra, já que o fósforo branco entra em combustão quando em contato com o ar, queimando a 900°C e incinerando a pele de quem entra em contato com ele), nos muito suspeitos recordes de doação de órgãos (maior banco de pele do mundo...), na retenção de ajuda humanitária, deixando a população desnutrida, na destruição de todos os hospitais de Gaza (outro crime de guerra), no uso de glifosato (herbicida cancerígeno) perto da fronteira israel-Líbano com objetivo de tornar a região inabitável, pra citar alguns dos muitos crimes cometidos pelo regime israelense.
O interessante é que a população apoia o genocídio. Pesquisas feitas em israel mostram a radicalização da população, o que da pra ver quando 77% dos políticos votam pena de morte para um povo específico (se isso não é intenção genocida, o que é? imagine você se o Brasil aprova pena de morte somente para argentinos) .
O que não é nenhum absurdo de se imaginar, considerando que o estado de Israel, ilegítimo, já foi criado com propósito e intenção genocida.
O primeiro primeiro-ministro de Israel, Ben Gurion (que não nasceu com esse nome, em breve mais sobre isso), declarou, por exemplo: "devemos expulsar os árabes e tomar o lugar deles, e se precisarmos usar da força, então temos força à nossa disposição". Tem outras falas interessantes, pra quem não se convenceu Falas de líderes israelenses.
Antes da guerra, brevemente sobre o Irã
- A ideia de que o Irã é um conjunto de pessoas pobres na idade da pedra é promovida no ocidente, porém a primeira declaração de direitos humanos veio da Pérsia, com Ciro, o Grande. (Ciro, inclusive, que tirou os judeus do exílio, os devolveu suas terras e os deu direitos dentro de seu império e respeitou a fé deles como a de outros povos. Isso é também documentado, e está escrito até na bíblia. Talvez se Ciro, o persa, não tivesse salvado os judeus, eles não existiram hoje. O mundo definitivamente dá voltas.)
- O Irã é formado por diversas etnias. Turcos, armênios, persas, baluchis, curdos, entre outras. Isso faz sentido pensando na herança império de Ciro, que diferente dos romanos ou dos russos, não optava por pogroms. Apesar do que se fala muito por aí, a identidade persa não é apenas étnica persa. Parte do que constrói a identidade são a filosofia e arte persas, especialmente poesia. Nenhum povo tem uma relação tão forte com a poesia (e consequentemente filosofia) quanto os iranianos. Rumi e Hafez são pouco conhecidos por aqui, mas são entidades absolutas no Irã, e quase um milênio depois da escritura dos poemas, eles ainda estão na casa de quase todo iraniano.
- O Irã, como herança multicultural, não é formado apenas por mulçumanos. Cristãos, judeus (que sofreram ataques de israelenses pós formação do estado de israel corroborando com o objetivo sionista de "retornar" todos os judeus à israel), mulçumanos e zoroastras convivem. Aproveitando que estamos falando de religião, vamos falar de zoroastrismo rapidamente? Fundada na Pérsia, foi a primeira religião monoteísta. Tem origem distinta do judaísmo (religiões canaanéias originárias e mitologia egípcia), sendo formado a partir de religiões indo-iranianas (chamadas também de indo-européias) que eram mais semelhantes ao que hoje é o hinduísmo. O zoroastrismo introduziu, antes do judaísmo: monoteísmo, a idéia de julgamento final, o messias personificado, a ideia de bem x mal (eles tem a própria ideia de Deus x Diabo), seus próprios "anjos" e "demônios". Interessante, né? Disclaimer: Existe, certamente, uma influência do zoroastrismo no judaísmo, mas isso não significa que o judaísmo é originário do zoroastrismo.
O regime aprendeu com as ditaduras no mundo inteiro que a centralização é o maior perigo para manutenção do poder. Então, além exército tradicional iraniano, existe uma instituição chamada "Guarda Revolucionária Islâmica" (não é iraniana, como se fala aqui no Brasil...). Esse é o braço armado do regime, separado das forças militares tradicionais. Eles se espalham em todas as forças armadas, marinha, exército, forças especiais, aeronáutica etc. Assim, o regime consegue controlar as forças armadas e garantir que o exército não vai dar um golpe nos aiatolás. Além disso, um conselho de "sábios", todos islâmicos, é responsável por descentralizar o poder.
Guerra
A INVASÃO DO IRAQUE
Primeiro: Iraque? O que é o Iraque?
Mesopotamia, berço da civilização ocidental. Onde se ergueram as primeiras cidades, Ur e Uruk. E de onde nasceu a história mais antiga do mundo: Gilgamesh, rei de Uruk, e sua busca por imortalidade. (Vale buscar pela Epopeia de Gilgamesh)
Breve história sobre a ação americana no Iraque: apoiaram o golpe no governo anti-imperialista do general al Qasim (governo brutal, mas que fez coisas boas como reforma agrária por exemplo), depois deram armas químicas para uso do novo governo contra milícias curdas, para as quais havia sido prometida independência. (vale a pena pesquisar o uso de napalm fornecido pelos americanos). Levantes xiitas ocorrem no Iraque, especialmente após a revolução islâmica iraniana de 79.
Saddam já estava no poder, e a bagunça gerada pela revolução iraniana era a oportunidade perfeita para invadir o Irã, responsável, em parte, por esses levantes xiitas (os xiitas se dividem entre Irã, Iraque, Síria e Iêmen). Com o contexto iraniano-americano, os Estados Unidos viram a oportunidade para frear a expansão inevitável do Irã na região. Abaixo, alguns dos motivos pelos quais a dominância regional iraniana é inevitável:
1- O terreno
Olhando para o território do oeste do Iraque e do resto do golfo, é tudo deserto, plano. Fácil de atacar, difícil de defender. Com um carro é possível percorrer tudo, já no Irã, é impossível. (Essa geografia dificulta, inclusive, a operação americana , com milhões de dólares de equipamentos americanos sendo danificados por tempestades de areia que, sem barreiras geográficas, se estendem por dezenas de quilômetros.)
Dessa forma, com acesso a mísseis e aviões, o Irã consegue facilmente atacar países do golfo, mas a recíproca não é verdadeira. O terreno montanhoso facilita a proteção de infraestrutura especialmente militar.
2- Água
3- População
Além de ser o maior país do golfo, o Irã tem a maior população.
4- Petróleo
Se você tem a geografia favorável para atacar e não ser atacado, seus adversários mal tem água, e você tem a maior população, o que falta? Dinheiro e energia. A terceira maior reserva de petróleo do mundo é suficiente para te fornecer isso.
5- Ormuz
Já deu pra perceber o padrão né? Onde tem petróleo, tem dinheiro e tem gente. Essa abundância de petróleo também proporciona outra maravilha para os países ricos em petróleo: produção de fertilizantes. A indústria de fertilizantes, cuja relevância global só cresce anualmente, é muito dependente de energia, é o que chamam de "energy-heavy industry". Por esse motivo, os países do oriente médio, especialmente do Golfo, são responsáveis por grande parte da produção global de fertilizantes (números variam, mas existem estimativas de 33%) . Cerca de 25% do preço dos alimentos é só fertilizante. Isso sem nem pensar que sem fertilizante não da pra produzir nada.
Mas eles não usam fertilizantes, claro. É tudo deserto. Então eles vendem fertilizantes e petróleo, e recebem em retorno todo outro tipo de produto. Por isso o fechamento do estreito é tão crítico: 1/4 da energia fóssil global é interrompida, 1/3 dos fertilizantes somem do mercado, e quem mora na região fica abastecimento, desde comida até livros.
** Parênteses **
A produção de fertilizantes não é exclusiva dos países do oriente médio, mas olhando o balanço entre produção e utilização de fertilizantes, algo fica muito claro: quem se dá mal. E a resposta? Brasil e Ásia oriental/ sudoeste. No leste asiático é normal imaginar que a indústria de fertilizantes seja diminuta, já que eles não produzem petróleo. Mas aqui? É porque a gente só elege palhaço. O Brasil deveria ser uma potência na produção de fertilizantes, mas como a terra das palmeiras e dos sabiás não consegue planejar 5 anos na frente, nós vamos ser muito afetados pela inflação, tanto por causa do preço do combustível quanto pelo aumento do custo de produção de alimentos.
**fecha parênteses**
Ficou claro, então, que o controle do estreito de Ormuz é o controle da região. A próxima questão é: quem consegue controlar o estreito? Simples: quem consegue atacar um navio que passar pelo estreito mas não é atacado de volta.
O relevo extremamente montanhoso faz com que seja muito fácil para o Irã controlar o estreito.
Boa sorte tentando encontrar uma estação de lançamento de mísseis escondida em uma caverna nessas montanhas aí. Aproveitando a imagem, da pra ver porque é impossível invadir o Irã, né?
Fica, então, bem claro porque o Irã é destinado a ser a potência regional. Quem poderia contrabalancear o Irã? O Iraque. Rico em petróleo, localizado estrategicamente e rival natural do Irã, apesar da maioria xiita. O que os Estados Unidos fizeram em 2003, já que precisavam bombardear algum lugar? Invasão do Iraque. As armas de destruição em massa? De fato existiram, foram os americanos que forneceram durante anos. Mas essas armas já haviam sido destruídas pelos próprios iraquianos quando os Estados Unidos começaram a ameaçar uma invasão. Vale a pena ler sobre os fiscais da ONU, especialmente sobre Scott Ritter, que avisaram que as armas já não existiam mais.
A destruição do Iraque em 2003 foi crítica para o Irã. Em primeiro lugar, o rival natural que compartilhava fronteira com o Irã foi derrotado. Era questão de tempo para que o Irã se tornasse a potência regional.
Além disso, os iranianos aprenderam duas lições importantes:
1: é impossível rivalizar com a superioridade aérea americana. Todas as instalações militares iraquianas foram rapidamente devastadas pelos americanos logo nos primeiros dias de guerra. Com isso, o Irã alterou sua abordagem, mísseis e drones são agora a prioridade. Baixo custo, alta capacidade de retenção (se o silo de mísseis estiver dentro de uma montanha, não adianta bombardear).
2: descentralização do poder. Na guerra do Iraque, os Estados Unidos conseguiram implementar sua doutrina militar: choque. As forças armadas americanas não foram feitas para lutar guerras longas, mas sim para atingir todos os alvos importantes com extrema rapidez, assassinar todas as lideranças e provocar a queda do governo. Sendo assim, mecanismos de descentralização do poder são extremamente necessários, uma vez que deve-se esperar que boa parte das lideranças será assassinada.
A CRISE DE REFÉNS DE 1979
Não quero me alongar muito aqui, já que vou explorar esse tópico mais profundamente na coluna sobre a história moderna do Irã. A crise de reféns de 79 é extremamente importante por alguns motivos. Um incidente internacional dessa magnitude afeta para sempre a relação entre os países. É importante ressaltar que até a década de 80 o Irã fazia parte da esfera de influência americana de forma única. Chamavam o Irã de "little united states". As mulheres iranianas eram fascinadas pela indústria da beleza americana, a cultura americana transbordava pelo Irã. Até hoje, a cirurgia mais comum no Irã é rinoplastia, o padrão de beleza europeu-americano se perpetuou na sociedade.
Com a revolução islâmica, movida principalmente por grupos rurais e do interior, começa o ódio à América. Até pela mistura com os socialistas, que logo após a instauração do governo foram assassinados em massa, o sentimento anti-imperialista era geral. Após anos de exploração externa usando a figura do Shah, agora eles estavam livres.
Os documentos americanos detalhando o golpe de 53 e outras atrocidades cometidas contra o povo iraniano e sua autodeterminação só aumentaram esse sentimento anti-imperialista. Mais de 400 dias de crise de reféns são o suficiente para escalar as tensões a níveis altíssimos. E desde então, Irã e Estados Unidos são inimigos jurados (depois do ataque do 11 de setembro o Irã tentou normalizar relações e ofereceu ajuda aos americanos, mas foram traídos num discurso do Bush em que ele associou o Irã ao "eixo do mal".
OS ANSEIOS ISRAELENSES NO ORIENTE MÉDIO
Tenho que me conter aqui para não alterar o propósito dessa coluna. Provavelmente mais a frente vou escrever especificamente sobre isso.
Vou jogar alguns pontos importantes aqui, e caso haja alguma discussão levantada pelo leitor acerca de algum desses temas estou disposto a responder.
1- israel tem como objetivo se consolidar como potência regional no oriente médio. Pra isso, paz com os países árabes mulçumanos é essencial. O ataque de 7 de outubro é exatamente sobre impedir que Israel normalizasse relações com as Arábia Saudita Acordos de Abraão. A Arábia Saudita é o país mulçumano mais importante: é lá que fica Mecca (local sagrado do islã), e lá que ficam as maiores reservas de petróleo BOM do mundo.
2- israel vê com bons olhos a destruição dos países do golfo, uma vez que isso abre espaço para o domínio israelense sobre a região. Os países árabes do entorno nunca aprovaram o estado israelense, e as tensões são constantes desde a criação de israel, inclusive com algumas guerras desde então.
3- israel vê os territórios abraâmicos (prometidos por Deus aos judeus 3000 anos atrás) como seus: Líbano, Palestina, parte do Iraque, parte da Síria, parte do Egito. Por isso que se vê israel tomando territórios palestinos constantemente desde sua criação, bem como territórios sírios (colinas de golam) e libaneses (sul do Líbano). Sempre sob a justificativa de "criar uma área tampão" para manter a segurança de israel. Recentemente o ministro da segurança de israel disse que iria "destruir todas as casas no sul do líbano e que 600 mil libaneses deveriam sair da região" Link. O enfraquecimento dos países do golfo é essencial para que israel prossiga com seus planos de expansão regional, já que esses são os países que detém poder político, militar, econômico e também o interesse na manutenção da existência dos países no entorno de israel.
É extremamente importante ressaltar o seguinte: o antagonismo a israel é importante para a identidade mulçumana na região. E o genocídio em Gaza só acentua essa posição. O Irã procura há muito tempo se colocar como o protetor dos países mulçumanos na região, mas esbarra em duas questões: etnia e divisão sectária. Os iranianos não são árabes nem sunitas. É uma via de mão dupla: o antagonismo a israel e a aceitação da hegemonia iraniana alimentam um ao outro. O próprio Hezbollah nasce no Líbano como forma de reação à israel e como ponto de projeção de poder do Irã fora do golfo. A ideia que se tem do Hezbollah é de que é um grupo terrorista e militar, mas na verdade o Hezbollah é um grupo político antes de tudo (não quer dizer que não engaje em atividades terroristas, mas certamente menos do que Israel e EUA...). O Hezbollah cresce no Líbano justamente por causa da incapacidade do estado, falido, em suprir necessidades básicas dos cidadãos. O Hezbollah entra justamente fornecendo o básico para a população, e era, até mês passado, um partido político oficial no parlamento libanês (a divisão sectária no estado libanês é bem interessante, vale a pesquisa).
GUERRA COMERCIAL E REINDUSTRIALIZAÇÃO AMERICANA
A guerra do Irã vem após as loucuras tarifárias do primeiro ano de governo Trump, que tem como objetivo reindustrializar os Estados Unidos, e promover superávit comercial. O principal alvo dos americanos é a China, país responsável pela promoção da globalização no mundo hoje, já que eles precisam desesperadamente de mercados consumidores.
Não se pode olhar pra essa guerra de hoje sem o golpe na Venezuela, que fornecia petróleo para China em troca de absolutamente tudo (petróleo era a moeda venezuelana no comércio exterior). A China é totalmente dependente da importação de petróleo, e grande parte vem justamente do Golfo. Sem petróleo venezuelano e do oriente médio, a China fica totalmente dependente de petróleo russo.
Apesar do que alguns idealistas possam alegar, o mundo é completamente dependente de petróleo e vai continuar sendo até o fim do século (devo fazer uma pequena coluna sobre isso também). Os americanos tem enormes reservas, e com o avanço da tecnologia de fracking, a produção americana superou a dos outros países do mundo por muito. Sendo assim, o ataque ao Irã é um ataque indireto à China também.
EPSTEIN FILES
Não quero explorar muito esse tópico aqui, pra não me expor também. Eu quero fazer algumas poucas reflexões aqui, apenas. A primeira é que essa guerra é a cortina de fumaça perfeita para toda a crise dos Epstein Files. Enquanto o mundo se desespera a cada tweet do Trump, os arquivos estão sendo destruídos. Sim, destruídos. Sem falar nos 2.5 milhões de arquivos (40%!) que não foram publicados, e nem vão ser.
A outra reflexão que eu quero fazer é sobre as escalas do poder. Existe uma ideia bem forte na mente de todo mundo de que o presidente dos EUA é o indivíduo mais importante do mundo, quando na verdade essa lógica não é muito válida. É importante entender que o método mais prático de obtenção de poder e dinheiro é através da corrupção.
-É impossível chegar ao topo do sistema sem utilizar atalhos.
-É impossível chegar no topo sem conspirar (lembro aqui a definição de conspiração: secretamente planejar junto com outra(s) pessoa(s) ações contra algo ou alguém).
Epstein chegou a pedir uma reunião direta com Putin. Já pensou nisso? Pra pedir uma reunião com o Putin, na escala real de poder do mundo, que pessoas comuns não tem acesso, o Epstein estava na mesma classe que o Putin (só pensar que qualquer pessoa que não tenha hierarquia pra tal não teria nem acesso ao Putin). Segundo o Putin a reunião não ocorreu porque o Epstein insistiu que a reunião fosse apenas entre os dois, enquanto o russo queria levar mais duas pessoas (não me lembro se seguranças, diplomatas ou sei lá o que).
O interessante é que Epstein era um freelancer, mas também um funcionário. Ele não ascendeu do nada. O sogro dele? Agente da Mossad, dono de mídias ao redor do mundo, e até sócio da McGraw Hill, editora responsável por metade dos livros-texto das escolas americanas na década de 90...
No funeral de Robert Maxwell (sogro do Epstein), o então primeiro-ministro de israel disse "Ele fez mais por israel do que se pode dizer hoje". Muito louco, não?
Voltando ao cerne: Epstein, hierarquicamente bem alto na escala de poder global, era um chantageador profissional. Era um agente de inteligência que obtinha poder de várias formas, inclusive com as chantagens permitidas pelas câmeras escondidas em absolutamente todos os cômodos de sua mansão na ilha de St.James. Agora pense comigo: Bill Gates, Al Gore, Bill Clinton, Príncipe Andrew... enfim, as pessoas mais poderosas do ocidente estavam diretamente ligadas com Epstein. Ele tinha chantagem sobre presidentes dos Estados Unidos, como Trump e Clinton (o Al Gore entra nessa também, vai). Isso leva a crer que a classe mais poderosa não é a política, que o presidente americano não é o homem mais poderoso no mundo, já que tem gente por aí que pode tirar ele do poder e colocar na cadeia em um dia, mediante as informações que detém. O que é bem óbvio na verdade. Quem manda é o capital. Quem manda são os grupos que agem em segredo conspirando para benefício próprio.
Todo mundo conspira no dia-a-dia. Mas existem conspirações e conspirações. Se você está no topo da cadeia global de poder, suas conspirações certamente vão ser diferentes do Joaquim que conspira com Jorge pra fazer José ser demitido da empresa.
O que vem no futuro?
Mas agora esses países vão ter que pegar toda essa grana de volta pra reconstruir suas refinarias, usinas, e infraestrutura no geral. Esse baque vai ser especialmente forte nos Estados Unidos por causa da transição da economia americana de indústria para mercado financeiro. Os setores de seguros e finanças ultrapassaram a manufatura como driver de crescimento.
Esse câncer do mercado financeiro (talvez um dia escreva sobre isso também), justificado sob a pífia argumentação da "otimização da alocação de recursos" ajuda a destruir a economia. Pensa comigo: se você tem 1 milhão de dólares no bolso, vale a pena investir numa indústria pra demorar 10 anos pra tirar 10% ao ano de retorno no seu investimento, ou vale a pena jogar no mercado financeiro e não precisar trabalhar pra receber um retorno próximo? A resposta é óbvia, e por isso que o mercado financeiro só cresce, e a economia real fica estagnada. A outra consequência muito claramente observada é a consolidação das grandes empresas: elas tem acesso a níveis extremos de capital, e assim seguem comprando as empresas menores até o ponto de dominação de mercados inteiros.
Pra finalizar sobre o onze de setembro, email da Ghilaine contando uma historinha sobre o onze de setembro que pode ser mais que uma historinha, dado o que vem ocorrendo.
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