Guerra, genocídio, Irã, futuro dos EUA, Copa, ataque terrorista?


Guerra, genocídio, Irã, futuro dos EUA, Copa, ataque terrorista?

Nesse exato momento o cessar-fogo entre EUA e Irã, que deveria durar duas semanas, foi extinguido em poucas horas. O motivo foram ataques em larga escala contra civis no Líbano, especialmente em Beirute. 

- Eu gosto de examinar o ponto de vista dos maiores apoiadores de israel no mundo inteiro, que são cristãos sionistas, especialmente protestantes. O Líbano é um país que desde sua libertação só tem presidentes cristãos (existe uma regra no Líbano que é: presidente é cristão, primeiro ministro é sunita, e o presidente do parlamento é xiita). Além disso, o Líbano tem, junto da Palestina, provavelmente os cristãos mais antigos do mundo, que seguiram Jesus 2000 anos atrás.


Genocídio 

O cessar fogo foi rompido para israel matar civis, e o objetivo é claramente esse. Qualquer pessoa racional com acesso a informação consegue ver que o que acontece em Gaza é um genocídio, mas ninguém faz absolutamente nada. É claro, isso se deve ao sistema implementado pós segunda guerra onde apenas os 5 países do conselho de segurança da ONU votam no que de fato importa, cada um com poder de veto, e os EUA têm, vez após outra, vetado cada proposta de resolução do "conflito".

Caso ainda exista algum abençoado que acha que não existe um conjunto de políticas projetadas para levar à morte e destruição dos palestinos, vou colocar algumas das MILHARES de provas. Não vou fornecer todos os links, mas tudo que falo aqui é bem documentado.

- Militares israelenses estupraram um prisioneiro palestino na frente de câmeras. Enfiam objetos no ânus dele levanto ao rompimento do reto. Pulmão perfurado, costelas quebradas etc. A então advogada geral do exército compartilha o vídeo que prova o que aconteceu. Ela é presa. O novo advogado (general também, como ela) larga as acusações. Netanyahu parabeniza o novo ministro, diz que era uma difamação, e diz que israel tem que perseguir seus inimigos, e não seus heróis. Tudo muito bem documentado: Estupro de palestinos ou seja: se for palestino, pode estuprar.

- 77% do parlamento israelense aprovou uma lei que expande a pena de morte APENAS para palestinos, num prazo de 90 dias para "crimes relacionados a terrorismo". Quem é terrorista? Quem determina quem é terrorista? Fica bem óbvio que essa medida é pra acelerar e aumentar o assassinato de palestinos, e "resolver" o problema das prisões lotadas de palestinos (crianças inclusive, como MUITO bem documentado pelas Human Rights Watch, anistia international, unicef...)

Pena de morte para palestinos

- As pessoas mais importantes e influentes do governo israelense há décadas falam sobre a retirada dos palestinos (que na carta da Convenção para Prevenção do Genocídio é uma forma de genocídio), mas vamos focar nos mais recentes: 

Itamar Ben Gvir (ministro da segurança nacional) : "A única coisa que tem que entrar em Gaza são as centenas de toneladas de explosivos da força aérea, nem uma grama de ajuda humanitária".

Daniel Harari (porta voz das forças de defesa) : "Estamos jogando centenas de toneladas de bombas em Gaza, o foco é em destruição, não precisão"

Amichai Eliyahu (ministro da herança ou legado) : "Temos que achar maneiras para lidar com os "gazeanos" (nem palestinos ele tem coragem de falar) que são mais dolorosas que a morte"

Isso sem falar no uso de fósforo branco no Líbano (arma considerada crime de guerra, já que o fósforo branco entra em combustão quando em contato com o ar, queimando a 900°C e incinerando a pele de quem entra em contato com ele), nos muito suspeitos recordes de doação de órgãos (maior banco de pele do mundo...), na retenção de ajuda humanitária, deixando a população desnutrida, na destruição de todos os hospitais de Gaza (outro crime de guerra), no uso de glifosato (herbicida cancerígeno) perto da fronteira israel-Líbano com objetivo de tornar a região inabitável, pra citar alguns dos muitos crimes cometidos pelo regime israelense.

O interessante é que a população apoia o genocídio. Pesquisas feitas em israel mostram a radicalização da população, o que da pra ver quando 77% dos políticos votam pena de morte para um povo específico (se isso não é intenção genocida, o que é? imagine você se o Brasil aprova pena de morte somente para argentinos) . 

O que não é nenhum absurdo de se imaginar, considerando que o estado de Israel, ilegítimo, já foi criado com propósito e intenção genocida. 

O primeiro primeiro-ministro de Israel, Ben Gurion (que não nasceu com esse nome, em breve mais sobre isso), declarou, por exemplo: "devemos expulsar os árabes e tomar o lugar deles, e se precisarmos usar da força, então temos força à nossa disposição". Tem outras falas interessantes, pra quem não se convenceu Falas de líderes israelenses.


Antes da guerra, brevemente sobre o Irã

Vou fazer em breve uma página mais completa sobre a história moderna do Irã. Nesse trecho quero apenas apresentar algumas ideias importantes para o entendimento do contexto atual.

O Irã foi vítima de gravíssimas interferências externas dos russos, ingleses e americanos na sua história moderna. Especialmente pela riqueza de suas terras, os iranianos foram roubados por muitos anos, sofreram diversos golpes de estado patrocinados por potências estrangeiras que destruíram a possibilidade da existência de uma democracia. Foram também alvo dos Estados Unidos na guerra Irã-Iraque. 
Uma cronologia bem podre é:
- começo do século XX: britânicos fazem acordo absurdo com o rei do Irã, dando petróleo para a Inglaterra.
- primeira tentativa iraniana de uma democracia. Instituição do parlamento (Majlis)
- golpe de estado: início da ditadura do Shah (1921)
- segunda guerra mundial: Rússia e Inglaterra invadem o Irã e instauram o filho do primeiro Shah como "novo rei", ou seja, marionete.
- segunda tentativa de democracia: primeiro ministro Mossadegh (o Majlis sobreviveu desde a primeira tentativa de democracia, mas o poder de fato estava nas mãos do Shah) lidera a população pedindo por democracia e nacionaliza o petróleo iraniano e põe fim à exploração britânica (1951)
- golpe: CIA  e MI6 organizam o golpe e colocam o Shah de volta no poder arquivo original CIA (1953)
- revolução contra o Shah (não apenas islâmica, socialistas tiveram um papel muito importante) -> O movimento islâmico vence a revolução e instaura a república islâmica (1979)
- tomada da embaixada americana no Irã: a embaixada americana mais importante. Com a queda do regime do Shah, que era marionete dos americanos, universitários marcharam em direção à embaixada americana e a tomaram. O que é importante ressaltar é que a embaixada americana no Irã era a base de operações da CIA em toda a Ásia. O único lugar do mundo onde haviam os moldes de impressão de dólares fora dos EUA era justamente nessa embaixada. Tem uma história MUITO maneira sobre como os estudantes obtiveram os documentos americanos, mas no final das contas eles fizeram os agentes da CIA que ficaram na embaixada destruindo documentos de reféns. Por que? -você me pergunta. Simples: eles encontraram o documento americano, cujo link coloquei acima, que provava que o golpe de 53 tinha sido organizado pelos americanos. Eles queriam um pedido de desculpa do presidente Jimmy Carter. Nunca aconteceu, claro.
- guerra Irã-Iraque: as relações entre Irã e EUA estavam destruídas. Então, para conter a expansão econômica e militar iraniana no golfo, os EUA patrocinam o Iraque de Saddam Hussein contra o Irã. A guerra é voraz, milhões morrem, os dois países são devastados. Durante a guerra o aiatolá coloca crianças para trabalhar no serviço militar, fazendo comida, cuidando de suprimentos, carregando armamento, tudo menos trocar tiro.
A guerra termina, ambos perdem, mas o Irã consegue repelir os iraquianos de volta, o que consolida o líder supremo mediante validação política, militar e religiosa.

Passando por mais alguns pontos que serão explorados posteriormente, apenas para facilitar a compreensão: 
- O Irã é descendente da Pérsia, civilização milenar, responsável em grande parte pela existência de um "ocidente" hoje em dia.

- A ideia de que o Irã é um conjunto de pessoas pobres na idade da pedra é promovida no ocidente, porém a primeira declaração de direitos humanos veio da Pérsia, com Ciro, o Grande. (Ciro, inclusive, que tirou os judeus do exílio, os devolveu suas terras e os deu direitos dentro de seu império e respeitou  a fé deles como a de outros povos. Isso é também documentado, e está escrito até na bíblia. Talvez se Ciro, o persa, não tivesse salvado os judeus, eles não existiram hoje. O mundo definitivamente dá voltas.)

- O Irã é formado por diversas etnias. Turcos, armênios, persas, baluchis, curdos, entre outras. Isso faz sentido pensando na herança império de Ciro, que diferente dos romanos ou dos russos, não optava por pogroms. Apesar do que se fala muito por aí, a identidade persa não é apenas étnica persa. Parte do que constrói a identidade são a filosofia e arte persas, especialmente poesia. Nenhum povo tem uma relação tão forte com a poesia (e consequentemente filosofia) quanto os iranianos. Rumi e Hafez são pouco conhecidos por aqui, mas são entidades absolutas no Irã, e quase um milênio depois da escritura dos poemas, eles ainda estão na casa de quase todo iraniano.

- O Irã, como herança multicultural, não é formado apenas por mulçumanos. Cristãos, judeus (que sofreram ataques de israelenses pós formação do estado de israel corroborando com o objetivo sionista de "retornar" todos os judeus à israel), mulçumanos e zoroastras convivem. Aproveitando que estamos falando de religião, vamos falar de zoroastrismo rapidamente? Fundada na Pérsia, foi a primeira religião monoteísta. Tem origem distinta do judaísmo (religiões canaanéias originárias e mitologia egípcia), sendo formado a partir de religiões indo-iranianas (chamadas também de indo-européias) que eram mais semelhantes ao que hoje é o hinduísmo. O zoroastrismo introduziu, antes do judaísmo: monoteísmo, a idéia de julgamento final, o messias personificado, a ideia de bem x mal (eles tem a própria ideia de Deus x Diabo), seus próprios "anjos" e "demônios". Interessante, né? Disclaimer: Existe, certamente, uma influência do zoroastrismo no judaísmo, mas isso não significa que o judaísmo é originário do zoroastrismo.

O regime aprendeu com as ditaduras no mundo inteiro que a centralização é o maior perigo para manutenção do poder. Então, além exército tradicional iraniano, existe uma instituição chamada "Guarda Revolucionária Islâmica" (não é iraniana, como se fala aqui no Brasil...). Esse é o braço armado do regime, separado das forças militares tradicionais. Eles se espalham em todas as forças armadas, marinha, exército, forças especiais, aeronáutica etc. Assim, o regime consegue controlar as forças armadas e garantir que o exército não vai dar um golpe nos aiatolás. Além disso, um conselho de "sábios", todos islâmicos, é responsável por descentralizar o poder. 


Guerra

Essa guerra é consequência de vários fatores muito importantes, alguns deles sendo:

- A invasão do Iraque pelo Bush
- A crise de reféns de 1979
- Epstein files
- Os anseios israelenses no oriente médio
- Guerra comercial e reindustrialização americana

A INVASÃO DO IRAQUE

Primeiro: Iraque? O que é o Iraque?

Mesopotamia, berço da civilização ocidental. Onde se ergueram as primeiras cidades, Ur e Uruk. E de onde nasceu a história mais antiga do mundo: Gilgamesh, rei de Uruk, e sua busca por imortalidade. (Vale buscar pela Epopeia de Gilgamesh)

Breve história sobre a ação americana no Iraque: apoiaram o golpe no governo anti-imperialista do general al Qasim (governo brutal, mas que fez coisas boas como reforma agrária por exemplo), depois deram armas químicas para uso do novo governo contra milícias curdas, para as quais havia sido prometida independência. (vale a pena pesquisar o uso de napalm fornecido pelos americanos). Levantes xiitas ocorrem no Iraque, especialmente após a revolução islâmica iraniana de 79. 

Saddam já estava no poder, e a bagunça gerada pela revolução iraniana era a oportunidade perfeita para invadir o Irã, responsável, em parte, por esses levantes xiitas (os xiitas se dividem entre Irã, Iraque, Síria e Iêmen). Com o contexto iraniano-americano, os Estados Unidos viram a oportunidade para frear a expansão inevitável do Irã na região. Abaixo, alguns dos motivos pelos quais a dominância regional iraniana é inevitável:

1- O terreno

Mapa topográfico da região do Golfo Pérsico
Veja que o terreno do Irã é muito montanhoso. Isso contribuiu para que o Irã fosse dominado, mas não colonizado. Como se coloniza um lugar tão recheado de montanhas? Não se coloniza.

Olhando para o território do oeste do Iraque e do resto do golfo, é tudo deserto, plano. Fácil de atacar, difícil de defender. Com um carro é possível percorrer tudo, já no Irã, é impossível. (Essa geografia dificulta, inclusive, a operação americana , com milhões de dólares de equipamentos americanos sendo danificados por tempestades de areia que, sem barreiras geográficas, se estendem por dezenas de quilômetros.)

Dessa forma, com acesso a mísseis e aviões, o Irã consegue facilmente atacar países do golfo, mas a recíproca não é verdadeira. O terreno montanhoso facilita a proteção de infraestrutura especialmente militar.

2- Água

O Irã é escasso em água, não se engane. Mas os países do golfo são ainda mais.


3- População

Além de ser o maior país do golfo, o Irã tem a maior população. 

4- Petróleo

Distribuição das reservas de petróleo no planeta

Se você tem a geografia favorável para atacar e não ser atacado, seus adversários mal tem água, e você tem a maior população, o que falta? Dinheiro e energia. A terceira maior reserva de petróleo do mundo é suficiente para te fornecer isso.

5- Ormuz

Esse é um mapa da localidades onde é produzido petróleo (e gás) Link


Já esse mapa mostra a densidade populacional Link

Já deu pra perceber o padrão né? Onde tem petróleo, tem dinheiro e tem gente. Essa abundância de petróleo também proporciona outra maravilha para os países ricos em petróleo: produção de fertilizantes. A indústria de fertilizantes, cuja relevância global só cresce anualmente, é muito dependente de energia, é o que chamam de "energy-heavy industry". Por esse motivo, os países do oriente médio, especialmente do Golfo, são responsáveis por grande parte da produção global de fertilizantes (números variam, mas existem estimativas de 33%) . Cerca de 25% do preço dos alimentos é só fertilizante. Isso sem nem pensar que sem fertilizante não da pra produzir nada.

Mas eles não usam fertilizantes, claro. É tudo deserto. Então eles vendem fertilizantes e petróleo, e recebem em retorno todo outro tipo de produto. Por isso o fechamento do estreito é tão crítico: 1/4 da energia fóssil global é interrompida, 1/3 dos fertilizantes somem do mercado, e quem mora na região fica abastecimento, desde comida até livros. 

Gráfico que mostra a dependência de importação de alimento pelos países do golfo


** Parênteses **

A produção de fertilizantes não é exclusiva dos países do oriente médio, mas olhando o balanço entre produção e utilização de fertilizantes, algo fica muito claro: quem se dá mal. E a resposta? Brasil e Ásia oriental/ sudoeste. No leste asiático é normal imaginar que a indústria de fertilizantes seja diminuta, já que eles não produzem petróleo. Mas aqui? É porque a gente só elege palhaço. O Brasil deveria ser uma potência na produção de fertilizantes, mas como a terra das palmeiras e dos sabiás não consegue planejar 5 anos na frente, nós vamos ser muito afetados pela inflação, tanto por causa do preço do combustível quanto pelo aumento do custo de produção de alimentos.

**fecha parênteses**


Ficou claro, então, que o controle do estreito de Ormuz é o controle da região. A próxima questão é: quem consegue controlar o estreito? Simples: quem consegue atacar um navio que passar pelo estreito mas não é atacado de volta.

Estreito de Ormuz e geografia no entorno

O relevo extremamente montanhoso faz com que seja muito fácil para o Irã controlar o estreito.


Boa sorte tentando encontrar uma estação de lançamento de mísseis escondida em uma caverna nessas montanhas aí. Aproveitando a imagem, da pra ver porque é impossível invadir o Irã, né?

Fica, então, bem claro porque o Irã é destinado a ser a potência regional. Quem poderia contrabalancear o Irã? O Iraque. Rico em petróleo, localizado estrategicamente e rival natural do Irã, apesar da maioria xiita. O que os Estados Unidos fizeram em 2003, já que precisavam bombardear algum lugar? Invasão do Iraque. As armas de destruição em massa? De fato existiram, foram os americanos que forneceram durante anos. Mas essas armas já haviam sido destruídas pelos próprios iraquianos quando os Estados Unidos começaram a ameaçar uma invasão. Vale a pena ler sobre os fiscais da ONU, especialmente sobre Scott Ritter, que avisaram que as armas já não existiam mais.

A destruição do Iraque em 2003 foi crítica para o Irã. Em primeiro lugar, o rival natural que compartilhava fronteira com o Irã foi derrotado. Era questão de tempo para que o Irã se tornasse a potência regional.
Além disso, os iranianos aprenderam duas lições importantes:

1: é impossível rivalizar com a superioridade aérea americana. Todas as instalações militares iraquianas foram rapidamente devastadas pelos americanos logo nos primeiros dias de guerra. Com isso, o Irã alterou sua abordagem, mísseis e drones são agora a prioridade. Baixo custo, alta capacidade de retenção (se o silo de mísseis estiver dentro de uma montanha, não adianta bombardear).

2: descentralização do poder. Na guerra do Iraque, os Estados Unidos conseguiram implementar sua doutrina militar: choque. As forças armadas americanas não foram feitas para lutar guerras longas, mas sim para atingir todos os alvos importantes com extrema rapidez, assassinar todas as lideranças e provocar a queda do governo. Sendo assim, mecanismos de descentralização do poder são extremamente necessários, uma vez que deve-se esperar que boa parte das lideranças será assassinada.


A CRISE DE REFÉNS DE 1979

Não quero me alongar muito aqui, já que vou explorar esse tópico mais profundamente na coluna sobre a história moderna do Irã. A crise de reféns de 79 é extremamente importante por alguns motivos. Um incidente internacional dessa magnitude afeta para sempre a relação entre os países. É importante ressaltar que até a década de 80 o Irã fazia parte da esfera de influência americana de forma única. Chamavam o Irã de "little united states". As mulheres iranianas eram fascinadas pela indústria da beleza americana, a cultura americana transbordava pelo Irã. Até hoje, a cirurgia mais comum no Irã é rinoplastia, o padrão de beleza europeu-americano se perpetuou na sociedade.

Com a revolução islâmica, movida principalmente por grupos rurais e do interior, começa o ódio à América. Até pela mistura com os socialistas, que logo após a instauração do governo foram assassinados em massa, o sentimento anti-imperialista era geral. Após anos de exploração externa usando a figura do Shah, agora eles estavam livres.

Os documentos americanos detalhando o golpe de 53 e outras atrocidades cometidas contra o povo iraniano e sua autodeterminação só aumentaram esse sentimento anti-imperialista. Mais de 400 dias de crise de reféns são o suficiente para escalar as tensões a níveis altíssimos. E desde então, Irã e Estados Unidos são inimigos jurados (depois do ataque do 11 de setembro o Irã tentou normalizar relações e ofereceu ajuda aos americanos, mas foram traídos num discurso do Bush em que ele associou o Irã ao "eixo do mal". 


OS ANSEIOS ISRAELENSES NO ORIENTE MÉDIO

Tenho que me conter aqui para não alterar o propósito dessa coluna. Provavelmente mais a frente vou escrever especificamente sobre isso.

Vou jogar alguns pontos importantes aqui, e caso haja alguma discussão levantada pelo leitor acerca de algum desses temas estou disposto a responder.

1- israel tem como objetivo se consolidar como potência regional no oriente médio. Pra isso, paz com os países árabes mulçumanos é essencial. O ataque de 7 de outubro é exatamente sobre impedir que Israel normalizasse relações com as Arábia Saudita Acordos de Abraão. A Arábia Saudita é o país mulçumano mais importante: é lá que fica Mecca (local sagrado do islã), e lá que ficam as maiores reservas de petróleo BOM do mundo.

2- israel vê com bons olhos a destruição dos países do golfo, uma vez que isso abre espaço para o domínio israelense sobre a região. Os países árabes do entorno nunca aprovaram o estado israelense, e as tensões são constantes desde a criação de israel, inclusive com algumas guerras desde então.

3- israel vê os territórios abraâmicos (prometidos por Deus aos judeus 3000 anos atrás) como seus: Líbano, Palestina, parte do Iraque, parte da Síria, parte do Egito. Por isso que se vê israel tomando territórios palestinos constantemente desde sua criação, bem como territórios sírios (colinas de golam) e libaneses (sul do Líbano). Sempre sob a justificativa de "criar uma área tampão" para manter a segurança de israel. Recentemente o ministro da segurança de israel disse que iria "destruir todas as casas no sul do líbano e que 600 mil libaneses deveriam sair da região" Link. O enfraquecimento dos países do golfo é essencial para que israel prossiga com seus planos de expansão regional, já que esses são os países que detém poder político, militar, econômico e também o interesse na manutenção da existência dos países no entorno de israel.


É extremamente importante ressaltar o seguinte: o antagonismo a israel é importante para a identidade mulçumana na região. E o genocídio em  Gaza só acentua essa posição. O Irã procura há muito tempo se colocar como o protetor dos países mulçumanos na região, mas esbarra em duas questões: etnia e divisão sectária. Os iranianos não são árabes nem sunitas. É uma via de mão dupla: o antagonismo a israel e a aceitação da hegemonia iraniana alimentam um ao outro. O próprio Hezbollah nasce no Líbano como forma de reação à israel e como ponto de projeção de poder do Irã fora do golfo. A ideia que se tem do Hezbollah é de que é um grupo terrorista e militar, mas na verdade o Hezbollah é um grupo político antes de tudo (não quer dizer que não engaje em atividades terroristas, mas certamente menos do que Israel e EUA...). O Hezbollah cresce no Líbano justamente por causa da incapacidade do estado, falido, em suprir necessidades básicas dos cidadãos. O Hezbollah entra justamente fornecendo o básico para a população, e era, até mês passado, um partido político oficial no parlamento libanês (a divisão sectária no estado libanês é bem interessante, vale a pesquisa).


GUERRA COMERCIAL E REINDUSTRIALIZAÇÃO AMERICANA

A guerra do Irã vem após as loucuras tarifárias do primeiro ano de governo Trump, que tem como objetivo reindustrializar os Estados Unidos, e promover superávit comercial. O principal alvo dos americanos é a China, país responsável pela promoção da globalização no mundo hoje, já que eles precisam desesperadamente de mercados consumidores.

Não se pode olhar pra essa guerra de hoje sem o golpe na Venezuela, que fornecia petróleo para China em troca de absolutamente tudo (petróleo era a moeda venezuelana no comércio exterior). A China é totalmente dependente da importação de petróleo, e grande parte vem justamente do Golfo. Sem petróleo venezuelano e do oriente médio, a China fica totalmente dependente de petróleo russo.

Apesar do que alguns idealistas possam alegar, o mundo é completamente dependente de petróleo e vai continuar sendo até o fim do século (devo fazer uma pequena coluna sobre isso também). Os americanos tem enormes reservas, e com o avanço da tecnologia de fracking, a produção americana superou a dos outros países do mundo por muito. Sendo assim, o ataque ao Irã é um ataque indireto à China também.


EPSTEIN FILES

Não quero explorar muito esse tópico aqui, pra não me expor também. Eu quero fazer algumas poucas reflexões aqui, apenas. A primeira é que essa guerra é a cortina de fumaça perfeita para toda a crise dos Epstein Files. Enquanto o mundo se desespera a cada tweet do Trump, os arquivos estão sendo destruídos. Sim, destruídos. Sem falar nos 2.5 milhões de arquivos (40%!) que não foram publicados, e nem vão ser.

A outra reflexão que eu quero fazer é sobre as escalas do poder. Existe uma ideia bem forte na mente de todo mundo de que o presidente dos EUA é o indivíduo mais importante do mundo, quando na verdade essa lógica não é muito válida. É importante entender que o método mais prático de obtenção de poder e dinheiro é através da corrupção. 

-É impossível chegar ao topo do sistema sem utilizar atalhos. 

-É impossível chegar no topo sem conspirar (lembro aqui a definição de conspiração: secretamente planejar junto com outra(s) pessoa(s) ações contra algo ou alguém).

Epstein chegou a pedir uma reunião direta com Putin. Já pensou nisso? Pra pedir uma reunião com o Putin, na escala real de poder do mundo, que pessoas comuns não tem acesso, o Epstein estava na mesma classe que o Putin (só pensar que qualquer pessoa que não tenha hierarquia pra tal não teria nem acesso ao Putin). Segundo o Putin a reunião não ocorreu porque o Epstein insistiu que a reunião fosse apenas entre os dois, enquanto o russo queria levar mais duas pessoas (não me lembro se seguranças, diplomatas ou sei lá o que).

O interessante é que Epstein era um freelancer, mas também um funcionário. Ele não ascendeu do nada. O sogro dele? Agente da Mossad, dono de mídias ao redor do mundo, e até sócio da McGraw Hill, editora responsável por metade dos livros-texto das escolas americanas na década de 90...

No funeral de Robert Maxwell (sogro do Epstein), o então primeiro-ministro de israel disse "Ele fez mais por israel do que se pode dizer hoje". Muito louco, não?

Voltando ao cerne: Epstein, hierarquicamente bem alto na escala de poder global, era um chantageador profissional. Era um agente de inteligência que obtinha poder de várias formas, inclusive com as chantagens permitidas pelas câmeras escondidas em absolutamente todos os cômodos de sua mansão na ilha de St.James. Agora pense comigo: Bill Gates, Al Gore, Bill Clinton, Príncipe Andrew... enfim, as pessoas mais poderosas do ocidente estavam diretamente ligadas com Epstein. Ele tinha chantagem sobre presidentes dos Estados Unidos, como Trump e Clinton (o Al Gore entra nessa também, vai). Isso leva a crer que a classe mais poderosa não é a política, que o presidente americano não é o homem mais poderoso no mundo, já que tem gente por aí que pode tirar ele do poder e colocar na cadeia em um dia, mediante as informações que detém. O que é bem óbvio na verdade. Quem manda é o capital. Quem manda são os grupos que agem em segredo conspirando para benefício próprio.

Todo mundo conspira no dia-a-dia. Mas existem conspirações e conspirações. Se você está no topo da cadeia global de poder, suas conspirações certamente vão ser diferentes do Joaquim que conspira com Jorge pra fazer José ser demitido da empresa.


O que vem no futuro?

Essa página já está enorme, estou há um dia inteiro escrevendo essa merda com o ombro ruim ainda. Vou finalizar com alguns pontos que acho importantes.

Nesse texto fiquei às margens da guerra, e não debrucei sobre o conflito; seriam dias inteiros escrevendo, não um dia só. Mas o que aconteceu até agora, dia 9 de abril, foi: Irã usou mísseis antigos e drones de baixo custo em enxames, com objetivo de exaurir os caríssimos mísseis de defesa americanos e israelenses. Agora, com os estoques de mísseis de defesa reduzidos, as bases americanas no oriente médio, bem como o estado de israel como um todo estão significativamente menos protegidos. Os porta-aviões americanos não conseguem chegar perto o suficiente sem serem atingidos: a máquina de guerra mais cara da história humana não serve de nada.
Agora, o Irã tem os mísseis Fattah-3, hipersônicos, disponíveis para destruir alvos de primeira importância. Estima-se que ainda existam 40 mil drones iranianos disponíveis, e 10 mil mísseis. Todos eles muito bem guardados nas montanhas mostradas anteriormente. 
Essa guerra é impossível de ser vencida pelos americanos. Mas e aí, o que deve acontecer?

Primeiro, a aceleração de um processo que já estava ocorrendo: substituição do dólar como divisa internacional. Os americanos não conseguem mais obrigar o mundo a comprar petróleo em dólar (o que obrigava, basicamente, todo país a ter reservas em dólar). Eles também vão ser obrigados a saírem do oriente médio, ou pelo menos do golfo.

Segundo, o Irã vai desenvolver finalmente sua bomba nuclear. A destruição do Iraque, a saída do Trump dos acordos nucleares em 2018 e a guerra de 2026 são as razões. 
Não quero falar muito sobre esses acordos nucleares, mas basicamente é o seguinte: o mundo tinha medo que o Irã construísse uma bomba nuclear, então os americanos retiraram as sanções sobre o Irã, contanto que os iranianos aceitassem que seu programa de energia nuclear fosse vistoriado pela AIEA (agência internacional de energia atômica). Obama que fez isso aí. Detalhe: O Irã é signatário do tratado de não proliferação nuclear (TNP) desde a década de 70. Adivinhe, caro leitor, qual o único país do oriente médio não signatário do tratado.
Em 2018 o Trump saiu do acordo e voltou com as sanções sobre o Irã, mesmo com todos os pareceres da agência internacional de energia atômica sendo positivos, relatando que os iranianos estavam seguindo à risca o acordo. 

Existem basicamente três aspectos importantes na construção de uma bomba nuclear: 
1- Vetor (o que transporta a ogiva)
2- Enriquecimento de urânio
3- Miniaturização da bomba

A bomba de Hiroshima é bem diferente do que uma bomba atômica de hoje se parece. A bomba de Hiroshima foi lançada por um avião. Boa sorte chegando com um bombardeiro sobre um alvo a 4000km do seu território hoje. As armas nucleares de hoje utilizam mísseis balísticos intercontinentais, que é o que importa: acertar qualquer país do mundo com seus mísseis, para garantir assim sua segurança com a destruição mútua assegurada (MAD).
O primeiro desafio, então, é construir um míssil capaz de atravessar mais de 5000km. Pra isso, seu míssil vai pra estratosfera, e depois reentra na atmosfera próximo ao alvo. O Irã já é capaz de lançar seus próprios satélites, ou seja, já é capaz de lançar um míssil que sai da atmosfera. É questão de tempo até que a pesquisa iraniana chegue no míssil balístico intercontinental. E não muito tempo.

O segundo desafio é enriquecer urânio. Os americanos e israelenses (talvez um dia eu fale um pouco sobre o programa nuclear israelense) estão desesperados atrás do urânio enriquecido iraniano. A verdade é que esse urânio não é enriquecido próximo a 90% ainda (enriquecimento necessário para construir a bomba), mas certamente acima dos 5% comuns para uso comercial. Após a guerra dos 12 dias no ano passado, em que algumas instalações nucleares iranianas em Natanz foram destruídas, não foi captado material radioativo na atmosfera, ou seja: o urânio já havia sido retirado. Novamente, boa sorte procurando esse urânio no palheiro das montanhas iranianas.

Sobre o programa iraniano, recomendo ao leitor uma breve pesquisa sobre as sabotagens israelenses no programa nuclear do Irã. Desde bombardeios perto de Bagdá em 81 até a utilização de espiões para infiltrar um vírus nas centrífugas em Natanz (famoso caso do Stuxnet), destruindo centenas de centrífugas utilizadas para enriquecimento de urânio. É realmente impressionante a capacidade israelense nessas ações de inteligência e sabotagem.

A parte mais fácil é a terceira, que é miniaturizar a bomba. Basicamente provocar a reação em cadeia da bomba em uma ogiva pequena.

Os iranianos estão bem avançados no vetor, e há retóricas contraditórias quanto ao avanço do enriquecimento de urânio. Mas o que importa de verdade é que o Irã tem, hoje, a plena certeza de que necessita da bomba nuclear para garantir sua defesa. Se o Irã tivesse uma bomba atômica não estaria sendo destruído nesse momento.
Ao contrário de seu pai, Ali Khamenei, Mojtaba tem a plena consciência de que precisa de poderio nuclear. Com a vitória iminente na guerra, e expansão econômica esperada no pós guerra, os iranianos vão estar numa posição ímpar para continuar a enriquecer urânio.

Isso vem num tempo de expansão nuclear. Com o conflito da Ucrânia, que só ocorre porque os ucranianos deram as suas bombas nucleares para a Rússia em troca da promessa de não agressão russa (acho que não deu muito certo), conflito no Irã, também causado pela ausência de poderio nuclear, e posição americana de "bully" frente aos países do mundo, fica clara a necessidade de desenvolver armamento nuclear para garantir a própria defesa.

Ou seja, no futuro, podemos esperar um Irã mais forte e com uma bomba nuclear. Podemos esperar também que os americanos sejam expulsos do oriente médio, já que não conseguem defender seus aliados. Podemos esperar também baques na economia americana, com o fim da política do petrodólar.

Pausa. O que é petrodólar?

De forma beeeem resumida: os países do oriente médio têm dinheiro de sobra e falta onde alocar, já que suas populações são diminutas. Então, eles querem fazer que nem a Noruega, e ter um fundo soberano. O acordo é o seguinte: os americanos garantem a segurança do seus aliados no oriente médio, que em contrapartida concordam em vender petróleo somente em dólar. Se pra comprar petróleo é necessário dólar, então todo mundo tem que ter dólar. Agora vamos lá: se todos os países do mundo tem dólar, e os americanos decidirem imprimir dólar, todo mundo paga a conta. 
Exemplificando: Somos 5 países, cada um com sua moeda. Agora todo mundo tem que ter um pouco da minha moeda, caso contrário não compra nada. Imagine que existem 100 das minhas moedas, e que 50 delas estão comigo, e as outras distribuídas entre o resto. A ideia de inflação é clara: se eu colocar mais moeda no mercado, cada moeda vale menos, certo? (1/100 é maior que 1/150). Mas a parte interessante é: se eu colocar 50 moedas no bolo, eu agora tenho 100 moedas de 150, e o resto tem 50/150. A moeda de todo mundo vale menos, mas eu dividi o ônus da inflação com todos os 5, então eu não me ferro sozinho, eu levo todo mundo junto.
O que os Estados Unidos aproveitam da divisa internacional, entre outras coisas, é isso. Esse dinheiro que sobra eles usam pra investir em armamento pra proteger seus aliados, pelo menos é o que dizem. E o fundo soberano dos países árabes? Essa quantidade toda de dólar que entrar tem que ser investida em algum lugar, né? Claro: na bolsa americana.

Mas agora esses países vão ter que pegar toda essa grana de volta pra reconstruir suas refinarias, usinas, e infraestrutura no geral. Esse baque vai ser especialmente forte nos Estados Unidos por causa da transição da economia americana de indústria para mercado financeiro. Os setores de seguros e finanças ultrapassaram a manufatura como driver de crescimento.


Manufatura como parcela do PIB (gráficos com datas anteriores são ainda mais agudos)

Esse câncer do mercado financeiro (talvez um dia escreva sobre isso também), justificado sob a pífia argumentação da "otimização da alocação de recursos" ajuda a destruir a economia. Pensa comigo: se você tem 1 milhão de dólares no bolso, vale a pena investir numa indústria pra demorar 10 anos pra tirar 10% ao ano de retorno no seu investimento, ou vale a pena jogar no mercado financeiro e não precisar trabalhar pra receber um retorno próximo? A resposta é óbvia, e por isso que o mercado financeiro só cresce, e a economia real fica estagnada. A outra consequência muito claramente observada é a consolidação das grandes empresas: elas tem acesso a níveis extremos de capital, e assim seguem comprando as empresas menores até o ponto de dominação de mercados inteiros.

O governo americano está quebrado. A relação dívida-PIB só cresce e está atingindo níveis absurdos. Nessa coluna sobre mercado financeiro devo falar sobre quem ganha com isso, mas dá pra ver claramente tendências de crescimento de dívida após grandes crises: 2008, 2020. O baque da guerra na economia americana, e o risco de retornos abaixo do esperado no mercado de IA podem criar uma tempestade perfeita para os americanos, obrigando o governo a aumentar novamente o teto da dívida pública. O problema é que dívida não se pode aumentar indiscriminadamente, e em algum momento o ventilador e o esterco se encontram.
Relação dívida/PIB ao longo do tempo

Tudo isso acontece enquanto a desigualdade explode nos Estados Unidos. A transferência de riqueza nunca foi tão abrupta. Nada como a tecnologia para aumentar a desigualdade.

Porcentagem da riqueza retida pela classe média e classe média-alta Link

A metade mais pobre da população tem apenas 2.5% da riqueza. Link

E o 1% mais rico saltou de 22% da riqueza da nação em 90 pra 32% em 2026, e só cresce. Link

Enquanto isso, o custo de moradia só aumenta:
Custo de moradia/renda ao longo do tempo (veja quando a bolha imobiliária explodiu)

Renda média americana x preço médio de uma casa


Copa do mundo

Pra finalizar essa brincadeira: midterms e opinião pública americana.
Já está bem claro, desde a guerra do Vietnã, que não é necessária a aprovação do povo para a realização de uma guerra. Mas dessa vez o absurdo está escancarado, a população está sob imensa pressão financeira, o mercado preocupado e o presidente na corda bamba, sofrendo ameaças de impeachment (que deveria ter acontecido 35 vezes desde que ele tomou posse).

Em novembro ocorrem as midterms, que são as eleições de meio de mandato (estamos chegando no meio do mandato presidencial). Nelas, todo o congresso é eleito, bem como 1/3 do senado e 2/3 dos governadores. Hoje, o Trump tem maioria nas duas casas, e por isso está confortável na cadeira de presidente. Porém com a popularidade decrescente, o presidente se preocupa, e muito, com a possibilidade de perder tanto o senado quanto o congresso. Daí, ele está a um passo do impeachment e talvez até da cadeia (tem algumas decisões da suprema corte bem interessantes quanto a isso).

O que tem antes das midterms? Copa do mundo. Infelizmente vamo tomar baile na copa, mas vida que segue.
Tenho que ter cuidado com a maneira que vou falar isso, mas esse contexto é extremamente perigoso. 

Se você é o Donald Trump, sua posição é complicada: você não consegue sair da guerra do Irã porque israel não deixa, vide o cessar-fogo recente (como discutimos, claramente existem pessoas que tem chantagem sobre o Trump). Você também sofre com impopularidade, e daqui a alguns meses vai acontecer a eleição que pode determinar seu futuro e seu legado. O que você precisa, desesperadamente, é de uma união da população americana. Eles não ligam pra futebol, nem que você fosse campeão do mundo ia adiantar alguma coisa. Você precisa que eles estejam dispostos a ignorar seus crimes em prol de algo maior, em prol da sobrevivência americana.

Já falei sobre a inevitabilidade da obtenção de armas nucleares pelo Irã. Esse é o grande motivo pelo qual os americanos entraram na guerra (segundo eles, claro). Agora imagine, caro leitor, que acontece um ataque terrorista iraniano em solo americano durante a copa do mundo. Certamente faria com que o medo da obtenção de armas nucleares pelo Irã crescesse, e muito, certo? Certamente o apoio à guerra cresceria muito também. Certamente muitos daqueles que condenam a guerra hoje (quase 70% dos americanos são desfavoráveis à guerra) iriam apoiar.

É fácil demais para eles criar outro 11 de setembro. Não vou perder tempo falando sobre isso, mas é bem óbvio que não foi um ataque feito pela Al Qaeda. Quem quiser saber mais informações sobre isso pode me procurar, mas é fato que o 11 de setembro foi feito por americanos ou que eles tinham informações sobre a ocorrência do ataque.
A título de curiosidade, eu vou colocar aqui um email de 2003 de Edward Epstein, jornalista investigativo (entre outras coisas), sobre um "shadow commission" acerca do 11 de setembro. Nele, ele convida Ghilane Maxwell, esposa de Epstein, para participar desse comitê sobre o 11 de setembro. 
Claro, ele sendo jornalista, poderia estar apenas investigando mais a fundo. Mas sabendo que os ataques foram fabricados, e somando a outro email de Ghilaine, em que um ex-prefeito da Flórida pergunta pra ela, uma semana depois do onze de setembro, "Onde está o verdadeiro piloto?" fica difícil defender a narrativa de "investigação".

Pra finalizar sobre o onze de setembro, email da Ghilaine contando uma historinha sobre o onze de setembro que pode ser mais que uma historinha, dado o que vem ocorrendo.

Tradução: 
Estamos no ano 2032, pai e filho andam nas ruas de Manhattan.
Se aproximando do local onde o World Trade Center ficava no final do século 20, o pai suspira e comenta, "e pensar que aqui ficavam as torres gêmeas..."
O filho, sem entender, pergunta ao pai: "O que são as torres gêmeas?" O pai sorri e olha pro filho, e explica: "As torres gêmeas eram dois prédios enormes que estavam aqui até 2001, quando os árabes os destruíram." 
O filho olha para seu pai e pergunta, "E o que são os árabes?".

Bem como disse Ghilaine, após o 11 de setembro os árabes tem sofrido grandes perdas... a guerra ao terror matou muitos e colocou muitos outros no limite da pobreza e da fome. Tenha em mente que Ghilaine era agente da Mossad, filha de um agente da Mossad que recebeu honras do primeiro ministro israelense e de 6 ex-oficiais da mossad no seu sepultamento.

Enfim, retomando. Os americanos claramente não tem medo de atacar a própria população. Não acredita que o 11 de setembro foi feito por eles ou que eles tinham conhecimento? (eles = aqueles no poder) Estou à disposição. Mas antes disso, fique à vontade para ler: Operação Northwoods. Resumidamente: Plano do departamento de defesa americano para realizar ataques terroristas em solo americano, inclusive usando aviões (as pessoas já tem medo de voar, é uma ótima forma de provocar terror), explodindo navios americanos etc. O objetivo? Culpar Cuba e justificar uma invasão. O plano é bem documentado, e está disponível para qualquer um ler. O plano foi aprovado por todas as pessoas responsáveis. Quem eram os responsáveis? Conselheiros chefes da marinha, exército, aeronáutica, chefe e vice chefe de gabinete, todos fazendo parte dos chamados "Joint Chiefs of Staff", responsáveis por assessorar o presidente e os departamentos de defesa e segurança nacional. O plano só não foi pra frente porque o Kennedy não aceitou. As forças armadas americanas, e os conselheiros mais importantes do governo foram todos a favor. Carta desclassificada (Foco nas págs.10 a 14)

Está bem claro agora que essa história toda de "ataque terrorista" é balela né? Em algum momento talvez eu fale sobre a origem das organizações terroristas no oriente médio, e da relação da CIA com elas...

Considerando tudo que foi exposto, concluo dizendo que: espero que não haja um ataque, mas existem motivações, indivíduos no poder com interesse, e histórico que corroboram com a possibilidade da fabricação de um ataque por parte dos americanos, ou israelenses.

A outra possibilidade, que esse texto já está grande demais para explorar, é do uso de armas nucleares para eliminar a ameaça iraniana.

Comentários abaixo abertos para esclarecimentos adicionais. Abraços.

Leo, 10 de Abril de 2026.
























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